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Educadores
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Pensar, refletir e entender as raízes do preconceito


Plano de Aula do Filme O Xadrez das Cores | Ficção | De Marco Schiavon | 2004 | 22 min | RJ


Audacioso e provocante, o filme O Xadrez das Cores traz uma história densa, que se desenvolve como um jogo de xadrez. A temática séria e profunda fala da discriminação racial.
"Pela educação pode-se combater, no plano das atitudes, a discriminação manifestada em gestos, comportamentos e palavras, que afasta e estigmatiza grupos sociais. Contudo, ao mesmo tempo em que não se aceita que permaneça a atual situação, da qual a escola é cúmplice ainda que só por omissão, não se pode esquecer que esses problemas não são essencialmente do âmbito comportamental, individual, mas das relações sociais, e que como elas têm história e permanência. O que se coloca para a escola é o desafio de criar outras formas de relação social e interpessoal, por meio da interação o trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se crítica e responsavelmente diante delas". (PCN Pluralidade cultural, p23 e 24)
É uma das responsabilidades da escola levar os alunos a assumirem uma postura ética e responsável diante da diversidade cultural e étnica.
De acordo com o dicionário Michaelis on line
discriminar
dis.cri.mi.nar
(lat discriminare) vtd 1 Discernir: Discriminar as causas de uma situação. 2 Diferençar, distinguir: Já os olhos mal discriminavam os caracteres. 3 Separar: Discriminar argumentos, razões. Discriminava bem umas das outras razões. 4 Classificar especificando especificar. 5 Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes.
Sobre discriminação racial, a definição que mais se enquadra é "Tratar de modo preferencial, geralmente com prejuízo para uma das partes". É sobre isso que trata O Xadrez das cores. Cida está em prejuízo em sua vida e, por dinheiro, precisa se sujeitar a situações degradantes protagonizadas por sua patroa branca e racista.
Por muito tempo aprendemos na escola, uma versão pouco conflituosa, como se os negros tivessem sido trazidos e aceitando a condição sub-humana a que foram submetidos. O ensino de História avançou e, assim as atividades propostas em sala de aula devem buscar uma visão mais contextualizada e menos romanceada da participação dos negros na História e os reflexos dessa construção histórica nos dias atuais.
É necessário ver o negro como um povo que tem direitos e deveres é preciso vê-lo como cidadão. Essa soberania existe em leis, mas na prática, ainda há muita injustiça.
O Xadrez das Cores é um filme que nos incomoda, é impossível manter-se distante da tensão das personagens. A forma como a história é construída nos convida a participar do enredo. Vamos tomando parte do jogo. A alusão ao jogo de xadrez é outro elemento intrigante, esse é um jogo de raciocínio. Está feito o convite para alunos e professores: para
combater a discriminação é preciso pensar, refletir, entender as raízes do preconceito.
Precisamos unir nossas vozes na luta contra o preconceito, e como em um jogo de xadrez, saber faz toda a diferença. O conhecimento pode ser conquistado e
assim como faz a personagem Cida, é preciso virar o jogo.
As personagens do filme apresentam-se como forças contrárias: rico e pobre, o branco, o negro, a patroa, a empregada. Apesar da relação contrária existente, ambas possuem em comum a força, a determinação. Maria insiste em oprimir, Cida aceita por causa da necessidade da situação, mas utiliza-se do tabuleiro do xadrez para conhecer sua oponente. Não se satisfaz com suas derrotas. Apesar de ver suas peças negras sendo jogadas no lixo prazerosamente por sua patroa, estuda a adversária, busca um conhecimento que não tem.
Uma das mais belas lições do filme é a negação do conformismo, da busca pelo conhecimento para a transformação dos fatos. É alquimia do conhecimento. É esse desejo que a escola tem que despertar.
O jogo de xadrez é outra bela simbologia... Tem os peões, o rei, a rainha, o movimento das peças... O objetivo do jogo é que cada jogador é coloque o rei adversário "sob ataque", de tal forma que o adversário não tenha lance legal a
evitar a "captura" de seu rei no lance seguinte. O jogador a alcançar tal objetivo, ganhou a partida e diz-se, deu "mate" no adversário. O jogador que levou o mate perdeu a partida. É um jogo de raciocínio, de inteligência, no qual o tabuleiro é o palco aonde os personagens vão mostrando suas habilidades. Competências estas que são conquistadas a cada movimento, a cada jogada. Como o ser humano que se desenvolve, não nasce pronto, mas vive suas escolhas. A forma como conduzimos nossas vidas indica o quanto iremos evoluir.
Cida representante da classe mais excluída de nossa sociedade deixa-nos a vontade de persistir, de mudar, de levar o jogo, o lúdico, o envolvimento aonde era só esquecimento.
Está feito o convite para que todos os educadores provoquem o debate. É no confronto de idéias que a escola pode tentar garantir o espaço da diversidade e do respeito. Dizem que a Arte fala ao coração dos Homens. Que este vídeo seja o inicio de uma obra de conscientização da preservação de todos os povos.




Objetivos
➢ Conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes representantes da raça afro-descendente, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles, continuidades e descontinuidades, conflitos e contradições sociais
➢ Valorizar o diversidade cultural considerando critérios éticos

Situação Didática
Nesta proposta, sugiro a junção do filme O Xadrez das Cores e a um outro tipo de mídia para o debate inicial. O professor pode iniciar questionando os alunos sobre que conhecimentos possuem sobre o jogo de xadrez. Os alunos vão apresentando suas idéias. Lança-se a pergunta sobre qual seria a temática de um filme chamado O Xadrez das Cores. Na medida em que a classe esgote suas hipóteses, o professor propõe assistirem ao filme.

Esse debate inicial é importante para trazer os alunos para a temática, já que eles ainda não sabem qual será esta, e é justamente nesta motivação que o filme é inserido. A preparação da sala para a sessão do filme é fundamental para desafiar os alunos. As estratégias podem ser as mais diversas , o importante é criar um clima de expectativa, de desejo de saber mais sobre o filme.

Após a sessão do filme, o professor retoma o debate, e neste caso deve centrar sobre a principal temática. Para estimular ainda mais a exposição de idéias, o professor pode pedir que os alunos se posicionem, relacionando com situações que já vivenciaram ou que conhecem sobre a discriminação racial.

Pode-se introduzir no debate a questão sobre a discriminação racial em relação à posição social.

No debate é importante garantir o direito a fala de todos. Aprender a ouvir , se posicionar e argumentar são aprendizagens que só desenvolvemos no exercício. O professor deve fazer um registro das principais idéias apresentadas, para tal pode pedir a ajuda de um aluno que pode ir registrando em uma cartolina, este levantamento servirá para o professor identificar possíveis novos focos de discussão, bem como, para perceber o avanço da turma e até mesmo uma auto-avaliação.

É necessário provocar os alunos a refletirem sobre o que escutam.

"Apesar da força de nossos poetas cantores, dos nossos artistas, da presença negra no futebol e na literatura e de termos também o maior geógrafo do mundo, Milton Santos, a invisibilidade da população negra continua, hoje menor, mas continua. Não só a invisibilidade no sentido real da palavra, mas aquela pusilânime e cínica, que só faz visíveis datas e situações oportunas, como: 13 de maio, 20 de novembro, carnaval e campeonato mundial de futebol, agora também nas competições de ginástica, com a atleta Daiane Santos. "

Um dos alunos pode anotar as conclusões da classe.

Para dar continuidade ao debate, é possível elaborarmos um projeto de trabalho intitulado "Nossos Heróis - Qual é a cara do brasileiro", cujo objetivo central é reconhecer a presença negra no Brasil como uma das matizes mais importantes na formação do povo brasileiro. Sugiro que o professor lance a idéia de que cada dupla deve buscar a história de um negro (a) que fez história e apresente para a classe. Nos sites http://www.acordacultura.org.br/ ou http://www.criola.org.br/ há material disponível com vários exemplos, mas os alunos podem encontrar outros.

O registro das descobertas podem ocorrer através de diferentes formatos: os alunos podem fazer seminários, contação de histórias, caracterizarem-se de acordo com o personagem. O professor deve incentivar a criatividade, mas deve orientar cada apresentação para fazer sugestões para o bom desempenho de todos os alunos.

Uma forma de continuar a atividade seria a produção de jogos sobre o tema, como por exemplo, elaborar perguntas e respostas e também um tabuleiro, vence quem conseguir responder o maior número de respostas corretas.

Caso seja possível seria interessante filmar a performance dos alunos e constituir um acervo de discussão que pode ser ampliado para outras classes.

Depois desta trajetória, sugiro que vejam novamente o filme e comentem que novas relações fizeram após os debates e seminários realizados.

Em uma outra aula o professor pode trazer a música Racismo é Burrice (Gabriel Pensador).

É interessante entregar a letra aos alunos para que eles possam identificar mais facilmente os trechos. Sugiro que o professor coloque em discussão o conteúdo da música e também a questão da lavagem cerebral. É este o caminho?

A Música pode ser encontrada no site http://gabriel-pensador.letras.terra.com.br/letras/72839/

Comentários
Avaliação:

A avaliação deve ocorrer durante todo o processo. Com um levantamento inicial sobre o que os alunos pensam sobre o assunto e o avanço que demonstrarem. Quanto a apresentação o professor deve compartilhar com os alunos os itens que serão avaliados, tais como, conteúdo apresentado, clareza e síntese, criatividade e o trabalho em grupo.


Para quem quiser um pouco mais....

Pode-se propor estudar as influências africanas na cultura brasileira. Em nossas raízes culturais temos a forte presença do negro, devido a posição desigual que a raça negra se encontrava, a escola nunca valorizou e se aprofundou no estudo dessas influências. A proposta é um resgate da cultura africana e seu impacto na cultura brasileira.

http://www.unidadenadiversidade.org.br/
Este site é fruto da junção de várias entidades que lutam pelos diretos humanos e contém um material bem interessante para se discutir a diversidade na sala de aula, com sugestões de atividades, músicas, vídeos e jogos.

http://portal.mec.gov.br/secad/
Este link faz parte do portal do MEC- Ministério da Educação e Cultura, constituindo a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), que trata de temas como alfabetização e educação de jovens e adultos, educação do campo, educação ambiental, educação escolar indígena, e diversidade étnico-racial.


Racismo é burrice- Gabriel Pensador

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos, do outro lado do oceano
"O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o sangue é mais forte que a água do mar"
Racismo, preconceito e discriminação em geral
É uma burrice coletiva sem explicação
Afinal, que justificativa você me dá para um povo que precisa de união
Mas demonstra claramente
Infelizmente
Preconceitos mil
De naturezas diferentes
Mostrando que essa gente
Essa gente do Brasil é muito burra
E não enxerga um palmo à sua frente
Porque se fosse inteligente esse povo já teria agido de forma mais consciente
Eliminando da mente todo o preconceito
E não agindo com a burrice estampada no peito
A "elite" que devia dar um bom exemplo
É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento
Num complexo de superioridade infantil
Ou justificando um sistema de relação servil
E o povão vai como um bundão na onda do racismo e da discriminação
Não tem a união e não vê a solução da questão
Que por incrível que pareça está em nossas mãos
Só precisamos de uma reformulação geral
Uma espécie de lavagem cerebral

Racismo é burrice

Não seja um imbecil
Não seja um ignorante
Não se importe com a origem ou a cor do seu semelhante
O quê que importa se ele é nordestino e você não?
O quê que importa se ele é preto e você é branco
Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no Brasil somos todos mestiços
Se você discorda, então olhe para trás
Olhe a nossa história
Os nossos ancestrais
O Brasil colonial não era igual a Portugal
A raiz do meu país era multirracial
Tinha índio, branco, amarelo, preto
Nascemos da mistura, então por que o preconceito?
Barrigas cresceram
O tempo passou
Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor
Uns com a pele clara, outros mais escura
Mas todos viemos da mesma mistura
Então presta atenção nessa sua babaquice
Pois como eu já disse racismo é burrice
Dê a ignorância um ponto final:
Faça uma lavagem cerebral

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão
Trabalhador da construção civil conhecido como peão
No Brasil, o mesmo negro que constrói o seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia
É revistado e humilhado por um guarda nojento
Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia graças ao negro, ao nordestino e a todos nós
Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói
O preconceito é uma coisa sem sentido
Tire a burrice do peito e me dê ouvidos
Me responda se você discriminaria
O Juiz Lalau ou o PC Farias
Não, você não faria isso não
Você aprendeu que preto é ladrão
Muitos negros roubam, mas muitos são roubados
E cuidado com esse branco aí parado do seu lado
Porque se ele passa fome
Sabe como é:
Ele rouba e mata um homem
Seja você ou seja o Pelé
Você e o Pelé morreriam igual
Então que morra o preconceito e viva a união racial
Quero ver essa música você aprender e fazer
A lavagem cerebral

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista
É o que pensa que o racismo não existe
O pior cego é o que não quer ver
E o racismo está dentro de você
Porque o racista na verdade é um tremendo babaca
Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca
E desde sempre não pára pra pensar
Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar
E de pai pra filho o racismo passa
Em forma de piadas que teriam bem mais graça
Se não fossem o retrato da nossa ignorância
Transmitindo a discriminação desde a infância
E o que as crianças aprendem brincando
É nada mais nada menos do que a estupidez se propagando
Nenhum tipo de racismo - eu digo nenhum tipo de racismo - se justifica
Ninguém explica
Precisamos da lavagem cerebral pra acabar com esse lixo que é uma herança cultural
Todo mundo que é racista não sabe a razão
Então eu digo meu irmão
Seja do povão ou da "elite"
Não participe
Pois como eu já disse racismo é burrice
Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

E se você é mais um burro, não me leve a mal
É hora de fazer uma lavagem cerebral
Mas isso é compromisso seu
Eu nem vou me meter
Quem vai lavar a sua mente não sou eu
É você.

Pedagogo Autor do Plano de Aula
Cecília Oliveira Prado


Formação: Mestrado em Educação: História, Política, Sociedade. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, Brasil. Especialização em Tecnologias Interativas Aplicadas a Educação. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP, Brasil.Graduação em Pedagogia. UMESP, Brasil.
Atividades Profissionais: Professora no curso de Pedagogia. Disciplinas: Metodologia e Pratica da Língua Portuguesa, Metodologia e Prática da Alfabetização, Linguagem e Literatura Infantil e Práticas, Estágio Supervisionado: Ensino Fundamental. Gestora Escolar em escola da rede pública municipal
Publicações: PRADO, Cecilia de Oliveira . A escola publica e o recebimento de recurso. São Paulo: Psicopedagogia Online, 2005.
Nível: Ensino Superior
Instituição: UNIMES | | SP