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A passagem da infância para adolescência e as questões de gênero


Plano de Aula do Filme De 10 a 14 Anos | Ficção | De Marcio Schoenardie | 2005 | 12 min | RS


uso do vídeo como mote para mobilizar momentos de encontro para pensar sobre a vida do jovem, sobre a passagem da infância para adolescência e sobre as questões de gênero, dentro da realidade sócio-histórica apresentada pelo curta.
Algumas questões e temáticas possíveis de serem exploradas:
As imagens iniciais durante a apresentação dos créditos são momentos preciosos de leitura: o que temos ali desfilando na nossa frente? Como ler/compreender o que dizem os significantes/signos/objetos? Por que foram eles ali escolhidos e ordenados desta forma?
De que país se trata? Que influências culturais observamos? De que classe social é esta casa? De que idade é o personagem? Que outras idades estão ali representadas? O que a música sugere de temática e de enredo?
Ao começar o filme foram desfilando em mim novas perguntas: qual a dor de Marciano? Quais as temáticas que ocupam suas preocupações/sentimentos/observações?
Como estas temáticas evoluem ao longo do curta?
Como compreender a temática do TEMPO chuvoso (péssimas condições metereológicas) como metáfora? Ela aparece em diferentes situações: na vida individual de um jovem ainda não adolescente (o Mateus), na relação entre os amigos, nas férias e o tempo ocioso, entre os pais de Marciano(casal) e na festa na qual cada sexo procura encontrar seu par. Do que "falam" estas metáforas em cada cena?
Como aparece a questão da nomeação: qual meu nome, que história familiar ele tem e como marca a minha subjetividade? Como isso se dá com Marciano?
Como o curta mostra a relação do jovem adolescente com o futuro que é um misto de inventar-se com as possibilidades que a vida vai desfilando ou não para cada um? Que angústias aparecem nesta relação com o futuro? Como o curta brinca com esse olhar o presente imaginando o futuro, ou do lugar de futuro?
Como as preocupações de gênero aparecem? O que fazem os meninos, como se colocam na frente das meninas, e Marciano, enquanto menino, como se coloca? E as meninas, como aparecem? Como são apresentadas pela perspectiva de Marciano?
Teria sido diferente para Marciano se a menina de trancinha não o tivesse procurado? O que imagina que teria ocorrido com ele?
O que marca sua passagem da idade dos 14 anos para 15?
Por que no início ele fala que vai morrer com 97 anos ao lado do neto de uma certa forma e no final modifica esta fala?
Usar o cinema na sala de aula tanto para trabalhar com alunos como na formação de professores/educadores é um recurso muito rico se pudermos usa-lo como mote: mote para conversarmos sobre a vida, sobre o que nos aflige, emociona. Sobre nosso papel como educadores, sobre a vida dos meninos na escola e fora dela, sobre maneiras de viver, versões. Mote para sentir diferente, para olhar para certas situações de modo divergente, para experimentar novos pontos de vista, para reconhecer o lugar do outro e de sua diferença.
Este curta me fez pensar/sentir muitas coisas ao mesmo tempo: a necessidade de exibir os dois carros do pai de Genésio (a valorização do TER), as festas como procura de par e espaço para experimentar, arriscar, ousar a chuva como os conflitos vividos nestas tentativas, o olhar "dramático" do adolescente para a vida, as temáticas masculinas da nudez, do namoro, do fazer-se melhor perante o outro (o dado marcava o número 6, a roleta o sete?!), os desejos infantis dos jogos, brinquedos, revistinhas, o significado das amizades, os sabores das comidas (churros, copo de leite, guaraná), as tentativas dos jovens de entrar no mundo adulto pelo sexo, bebida, cigarro, a dificuldade de dizer o que sente de Marciano quando em estado de passagem, suspenso entre seus brinquedos e seu desejo/receio de começar a "brincar" com meninas e seu deslanchar emocional depois das investidas da menina de trancinha, as temáticas femininas vistas pelos meninos de escolher o menino mais bonito, mais velho, que "sabe dar mais nós", e a insegurança que isso causa em quem não se vê tendo tais atributos valorizados, enfim..., o filme termina de um jeito bonito dizendo que podemos rir de nós mesmos, trazendo o humor para dentro das experiências humanas!
E para você educador/ou jovem, o que este curta te fez pensar/sentir sobre sua vida e sobre sua tarefa educativa (no caso do educador)?





Situação Didática
- Como os alunos meninos descreveriam as meninas? E as meninas, como descreveriam os meninos?
- Que fato consideram que foi definitivo para marcar a passagem da infância para a adolescência em suas vidas?
- Focar sobre a situação do adolescente de classe média (baixa, alta) no Brasil hoje, haveria diferenças? E da classe popular? E da classe alta? Que temáticas seriam parecidas e que outras seria diferentes?
- Levar este curta para ser visto junto por várias classes de diferentes escolas que atendam públicos sociais diferentes e abrir um debate que investigue a questão acima.
- Como os adolescentes são mostrados na mídia? (filmes, tv, comerciais) Como entender esta "construção do perfil" adolescente pela mídia?
(para isto assistir com eles algum anúncio etc...).

- Propor que pesquisem na internet, nas enciclopédias, o lugar do adolescente ao longo da história e se houve mudança deste lugar, para que se perguntem se este lugar é uma criação sócio-histórica. Esta pesquisa pode ser dividida e cada grupo apresenta aos demais as suas descobertas.
- Propor que montem um vídeo sobre a vida do adolescente inspirados no relato do Marciano, pode agora ser da perspectiva da menina, por exemplo. A produção pode ser dividida e depois o grupo todo assiste e faz mais perguntas sobre a experiência. Atenção à música escolhida, às imagens iniciais de apresentação.
- Entrevistar jovens de sua escola/bairro sobre suas experiências.


Pedagogo Autor do Plano de Aula
Juliana Davini


Formação: Graduação - Instituto de Psicologia/USP (1982-1987) Especialização em Psicanálise - Biblioteca Freudiana Brasileira - (1987-1989). Pós-graduação/Mestrado pelo Instituto de Psicologia/USP: Um espaço singular para o psicólogo: grupos de formação de educadores orientados pela Psicanálise e pela Psicologia Escolar (2003).
Atividades Profissionais: Sócia-fundadora e docente do Espaço Pedagógico de 1992 a 2005, em São Paulo e Bauru.
Publicações: Psicanálise e Educação: em busca das tessituras grupais. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1998.
Nível: Ensino Superior
Instituição: Espaço de Educação e Cultura. | SP | SP