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Refletir a ditadura através de uma "mulher comum"


Plano de Aula do Filme Eh Pagu, eh! | Documentário | De Ivo Branco | 1982 | 15 min | SP


A questão não é incluir a
arte na educação.
A questão é repensar a
educação sob a perspectiva
da arte. Educação como
atividade estética...
RUBEM ALVES
O curta-metragem em tela retrata uma época através de pinceladas da biografia de Patrícia Galvão, a Pagu de Oswald de Andrade. A partir de elementos iconográficos relata as idas e vindas de uma mulher que ousou lutar por seus ideais. Não se trata de mitificar a figura de Pagu, mas de, ao contar a história de uma "mulher comum", possibilitar a reflexão dos jovens sobre a dura realidade da ditadura e, com isso, discutir a liberdade atual, tão banalizada.
Parece que quando tudo era proibido as pessoas, principalmente os jovens, eram engajados em questões de seu tempo, de sua época, com muito mais furor que atualmente. Hoje, com a democracia conferida às idéias e aos atos, pouco se faz em termos sociais. Muito se fala em "protagonismo juvenil". O que nossa juventude tem feito pela sociedade à qual pertence? Iniciativas esparsas podem ser conclamadas, mas do ponto de vista da coletividade, o que se vê são jovens um tanto obtusos no que diz respeito à sua efetiva colaboração social, numa complacência imóvel e inerte.
Pode-se organizar, através da sala de aula, projetos genuínos de "protagonismo juvenil" a partir, inclusive, do que gostam de fazer: comunicar-se virtualmente. Pode-se criar comunidades temáticas, tirar fotos, redigir blogs, alimentar flogs, entre outras ações que, com efeito, podem contribuir para a compreensão da realidade e trazer luz à atual situação de coisas, fatos e relações interpessoais.




Objetivos
 Introduzir o assunto, conversando sobre a importância das artes, em especial das artes visuais, como forma de conhecer a realidade, de dar um significado diferente às nossas experiências e de melhorar a qualidade de vida e aprendizagem na escola e na comunidade
 Pesquisar, com a turma, o que existe de mais interessante na comunidade em termos de artes visuais, notadamente sobre a história local. É a oportunidade de passar a ver com outros olhos o que existe em torno de si
 Estimular os jovens a produzir suas próprias imagens e a expressar o que pensam e sentem por meio de imagens, de cores, de formas, de luz.
 Possibilitar momentos nos quais os jovens possam se expressar através do desenho, da pintura, da fotografia, da criação de propagandas e da ilustração de histórias fictícias e reais
 Estimular os jovens a buscar sua forma única e pessoal de expressão, sem censurá-la por conta dos ditames estéticos e artísticos vigentes.

Situação Didática
Fases do trabalho:

1. Apresentação do curta "Eh Pagu, eh!"

2. Discussão sobre os caminhos e des-caminhos de Pagu como membro do Partido Comunista, discutindo questões tais como:
a. quais eram os ideais de uma (Pagu) e de outro (PCB)?
b. que tipo de militante foi Pagu?
c. Pagu foi protagonista juvenil? Como?
d. Qual sua contribuição efetiva para o país?

3. Momento de Fruição: descoberta de obras antropofágicas de autoria de Tarsila do Amaral e discussão de sua frase célebre: "Quero ser a pintora da minha terra", apontando para a criação coletiva de "obras" que retratem "a terra dos jovens estudantes". Obras de Tarsila sugeridas:
a. A Negra - 1923
b. A feira - 1924
c. Morro da Favela - 1924
d. A Família - 1925
e. O Pescador - 1925
f. Vendedor de Frutas - 1925
g. Religião Brasileira - 1927

4. Momento de Criação: construção de portfólios fotográficos (ou de outras formas de artes visuais) que sejam a base para a construção coletiva de um Blog/Flog temático sobre as pessoas comuns e os "vultos" da comunidade

5. Roda da Descoberta: socialização das descobertas de suas criações e preparação de uma situação comunicativa diferente do blog (caso a comunidade não conte com aparatos tecnológicos e acesso à Internet).


Orientação Didática:

Além daquelas que nos são oferecidas pelo mundo da natureza, há as imagens criadas pelos homens, com os mais diferentes objetivos: convencer, educar, distrair, avisar, esclarecer, embelezar, emocionar, inspirar, mostrar. Os aparatos estéticos visuais a serem explorados podem ser: faixas, cartazes, outdoors, luminosos, selos, adesivos, propaganda, ícones de computador, sinais de trânsito, entre outros. O olhar do jovem pode e precisa ser educado, para que os mesmos não se percam na atual "selva de informações" a que são expostos. Crianças e jovens, em especial, devem aprender a olhar o mundo à sua volta de maneira sensível, consciente, pensante e, também, selecionando, interpretando e criticando o que vêem.

Para trabalhar com a imagem iconográfica deve-se:

1. construir um eixo temporal a partir da seqüência cronológica ou cultural de determinado ser social, grupo social ou região
2. estipular um roteiro de observação para subsidiar o "espectador" em sua tarefa de abstrair ou transmitir informações de/com determinada imagem
3. procurar perceber os "silêncios" nos discursos imagéticos: tais e quais fatos, situações e pessoas são passíveis de registro, quais não são
4. perceber a "a lógica pela qual os símbolos se ligam" entendendo a conotação "psicológica" encontrada nas frestas e silêncios
5. tentar estabelecer um novo "sentido" e uma nova "mensagem" através daqueles(as) expressos(as) pelas imagens, buscando fazer uma re-leitura da "leitura" sugerida e compreender a conotação subjetiva da Arte, posto que ao carregar muito do sujeito que a interpreta e analisa, será sempre subjetiva em cada momento histórico/pessoal.


Roteiro: Observando pessoas de sua localidade
 Como são as pessoas de sua região?
 Como é a maneira de olhar das pessoas observadas?
 Como se vestem?
 No que trabalham?
 Seu salário parece ser suficiente?
 As pessoas brigam entre si?
 Quais são seus passatempos favoritos?
 Diante do que se observou anteriormente e da fisionomia das pessoas, como podem ser descritas em se tratando de seu temperamento, personalidade e caráter?

Comentários



Anexo: Fotografia e Discurso Visual (fragmentos)

A fotografia, tal qual a conhecemos hoje, é uma continuidade da Ideologia Renascentista, agora reciclada, adaptada e incorporada à nova Ordem da Sociedade Industrial. Ela nada mais é do que a visualização desse novo discurso: racional, claro, tecnicamente perfeito e instantâneo. Ao invés de ser um "retorno renascentista", a fotografia é, em síntese, a retomada à nova racionalidade da emergente burguesia industrial, a partir de meados do século XIX.

Portanto, os discursos ou sistemas simbólicos elaborados pelos homens para representar o mundo, são sempre ideológicos, pois, longe de constituírem entidades autônomas transparentes, são, em última instância, determinados pelas próprias contradições inerentes à vida social.

O significado do discurso fotográfico é definido por um conjunto de noções oriundas de cada segmento social e as associações dessas imagens estarão diferenciadas em função da maneira que cada grupo a emprega ou atribui o seu valor.

A evolução da linguagem fotográfica está, na realidade, em estreita dependência do seu contexto histórico. Temos, assim, uma relação evidente entre a evolução da linguagem e as condições sociais em que a fotografia, enquanto meio de expressão evolui. O próprio desenvolvimento da sociedade conduz a linguagem por um caminho determinado. Portanto, a história das imagens é reflexo direto da história das civilizações.

A fotografia, antes de mais nada é um documento. Sua linguagem se resume no discurso, na narrativa visual. Seu único propósito é a mensagem, contida na própria imagem ou no simples recado que o fotógrafo quis transmitir. A fotografia fala por si mesma...

E que para tudo isso possa acontecer vamos depender da sensibilidade do seu autor, da sua persistência, do seu olhar, conhecimento técnico, padrão cultural e principalmente do seu trabalho criativo e intelectual.

Fonte: http://www.virtualphoto.net/artigos/enio06.php


Bibliografia consultada e sugerida:

ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual. São Paulo: Pioneira/USP, 1980.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Parâmetros Curriculares Nacionais - Arte.
Brasília: MEC, 1996.

GUERRA, Maria Terezinha T. Artes da Luz. In: A ARTE É DE TODOS. São Paulo: CENPEC - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, s/d.

GUERRA, M. Terezinha Telles, MARTINS, Mirian Celeste, PICOSQUE, Gisa. Didática do ensino de Arte: a língua do mundo - poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.

GUERRA, Maria Terezinha T. Artes da Luz. In: A ARTE É DE TODOS. São Paulo: CENPEC - Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, s/d.

SANTOS, Marilene Lima. O trabalho com História e Geografia: Metodologia e Prática de Ensino. São Paulo: Edukaleidos, 2003, mimeo.

O Movimento Antropofágico:
http://www.puc-campinas.edu.br/centros/clc/jornalismo/projetosweb/2003/Semanade22/antropofagia.htm

Pedagogo Autor do Plano de Aula
Marilene Lima


Formação: Mestre em Educação: História, Política, Sociedade, pela PUC/SP (1999-2001) tendo desenvolvido pesquisa sobre a História dos Métodos de Alfabetização em São Paulo.Psicóloga, formada pela UMESP (1991-1997).
Atividades Profissionais: Coordenadora do Programa Edukaleidos: Educação para o bem-estar [http://www.edukaleidos.pro.br]. Docente na Pós-Graduação da UNISA nos cursos de Psicopedagogia Clínica e Institucional (Lato Sensu)e MBA Executivo em Gestão de Pessoas (Unisa Business School).
Publicações: Últimas publicações: Entrevista concedida à jornalista Thais Gurgel, do Caderno Especial: Educação Infantil, da Revista Nova Escola, "Conhecimento de Mundo na Educação Infantil", publicação prevista para março/2007; Artigo no site Pró-Fala (http://www.profala.com/artpsico41.htm - Portugal) Educação, Psicanálise e Cultura
Nível: Ensino Superior
Instituição: UNISA | São Paulo | SP