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Educadores
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O olhar pelo coração

Filme Utilizado A Pessoa é Para o que Nasce | Documentário | De Roberto Berliner | 1998 | 6 min | RJ



Data da Experiência:19/09/2008

Nível de ensino da turma*: Educação de Jovens e Adultos

Faixa etária da turma*: acima de 18 anos

Nº de alunos que assitiram esta sessão:40

Autor do relato:ARNALDO JOSÉ DA SILVA XAVIER

Instituição:UNID EDUC GAMA E SOUZA
| RJ | RIO DE JANEIRO
| Particular
Objetivos do uso do filme
O filme "A pessoa é para o que nasce" torna-se uma excelente ferramenta para o desenvolvimento da prática reflexiva em nossos alunos. Ao ser muito rico em situações chaves, tais como a deficiência visual, a pobreza na região Nordeste e o talento artístico, o filme nos presenteia com uma abordagem humanística sobre a inclusão, ou a falta desta, em nosso país. Portanto, a partir destes temas principais, os alunos percebem e ponderam a respeito do porquê haver tanta miséria no Nordeste, da existência de variantes lingüísticas regionais, da discriminação e o preconceito aos portadores de deficiência e de haver uma cultura popular musical muito rica no Nordeste. Por meio de debates orais e produção escrita, avaliamos a exposição de idéias e a capacidade reflexiva e persuasiva de cada aluno.

Sequência de atividades envolvendo o filme
Foram reservados dois tempos de aulas para pôr em prática a experiência. Por se tratar de uma sala de aula convencional, as carteiras foram organizadas em um semicírculo. A TV, que exibiria o DVD, fechava esse semicírculo. Os alunos chegaram no horário combinado e sentaram-se nas carteiras, que permitiriam assistir ao filme e ver seus colegas uns de frente aos outros. Antes de começar a exibição do filme, foi apresentada a proposta, que consistia no porquê a escolha de um filme brasileiro era necessária, por se tratar do nosso povo, da nossa língua, da nossa realidade. Também sobre qual era o objetivo principal, já que a aula é de Língua Portuguesa, e tínhamos estudado Concordância Verbal e Concordância Nominal. Eles deveriam, assim, perceber os temas em questão e outros que considerassem relevantes. Foi pedido que não anotassem nada, que prestassem bastante atenção em silêncio na primeira exibição, pois haveria uma segunda, e nesta seriam permitidas anotações. Após a exibição da proposta, as luzes foram apagadas e o filme foi exibido. Em seguida, a segunda exibição foi realizada, já com as luzes acesas. Após a última exibição, cada aluno pôde expor o que percebeu no filme, além dos temas questões. O semicírculo permitiu um debate inclusivo, em que todos opinaram e expuseram suas idéias em relação ao filme, oralmente. Ao término do debate, todos alunos foram orientados a realizarem uma produção escrita individualmente. Esta deveria abordar os aspectos relevantes do filme, os temas discutidos e as trocas de idéias no debate, por meio de uma dissertação expositiva ou argumentativa. Foram oferecidas folhas pautadas para a produção escrita, que deveria respeitar o limite de 25 a 30 linhas. Dicionários e folhas para rascunho também foram oferecidos para o auxílio da produção.

Comente os resultados da experiência
A princípio, semanas antes, houve uma pequena rejeição do grupo ao saber que eu utilizaria um filme nacional, já que há um preconceito sobre produções nacionais. Felizmente, este foi muito bem aceito, até mesmo porque poucos já haviam assistido a documentários. Familiarizando-se com a história real, muitos acharam a sinopse incrível. O filme foi apresentado numa data propícia, pois o tema central era a deficiência visual e, coincidentemente, a Seleção Brasileira de Futebol de Cinco (para deficientes visuais) ganhara no dia 17 de setembro medalha de ouro nos Jogos Paraolimpíacos da China 2008, ou seja, dois dias antes da exibição do filme. Muitos lembraram dessa vitória, que inclusive, foi muito divulgada na imprensa. A vitória dos nossos atletas e o talento artístico das irmãs de Campina Grande mostrou-lhes que empenho e vontade de vencer superam as barreiras que a vida impõe a qualquer um, e que as dificuldades podem ser superadas. Para os alunos, as irmãs, em especial, são exemplos de luta e de vida. Outras questões foram apresentadas e discutidas por eles nos debates, tais como a seca, a miséria, a falta de escolaridade das pessoas, o descaso das autoridades com aquela região e exclusão. Por outro lado, a cultura popular, o comportamento, a alegria de viver, a simplicidade, a necessidade de se respeitar os deficientes em geral, a religiosidade, os sonhos e o talento musical que enriquece a nossa MPB foram exaltados. As produções escritas também apresentaram resultados bem satisfatórios, nelas pude analisar a concatenação das idéias e o respeito aos limites pré-estabelecidos, além de avaliar situações gramaticais. As dissertações foram consideradas como parte das avaliações do 3º bimestre. Por fim, obtive resultados de bons a excelentes com essa enriquecedora experiência. Aconselho a todos os amigos mestres fazerem uso deste excelente filme.